quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Authentic Fashion: Moda Alternativa

Originalidade, Autenticidade, criatividade e looks ousados carregados de atitude foram as propostas do Authentic Fashion. O evento, que aconteceu no último sábado (28), na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro de Goiânia, apresentou produtos de lojas e estilistas da capital, que normalmente não participam de desfiles de moda na região.

Foto: Divulgação

"A ideia partiu da professora Sabrina, do curso de eventos, na matéria Produção de Eventos e Desfile. Para podermos concluir, teríamos que produzir um desfile e escolhemos como tema moda alternativa.", diz Andrezza Oliveira 21 anos, estudante de eventos, uma das organizadoras do Authentic Fashion.
O evento contou como apoio de food trucks, marcas de roupas da capital, apresentações musicais e o apoio da SEDUCE (Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte) que cedeu o espaço físico para a realização do desfile. De acordo com os organizadores do evento, esse tipo de apoio é muito importante pois passa uma credibilidade maior ao evento.
"Eu tô achando maravilhoso. Porque a gente poder comentar a economia criativa, essa questão do alternativo é muito interessante. Por mais que seja um trabalho de faculdade vai fazer um borburinho ali na economia.", comenta a publicitária de 22 anos, Lorraine Ketlyn. "Eu acredito que as pequenas lojas venderem para pequenos grupos de interesse é o futuro. Acho que cada vez mais devemos nos vestir diferente. Chega de produção em massa.", ela completa.

Bastidores do desfile
Foto: Divulgação

Nos bastidores, a ansiedade era vista nos rostos dos modelos. Alguns nunca haviam modelado ou desfilado para nenhuma marca. "Nós tivemos um ensaio básico aqui, mas somos livres para andarmos como quisermos. A exigência é andar devagar, sorrir bastante e fazer umas poses, mas no geral, é mais livre.", conta a estudante de jornalismo Thaís Muniz, que também comenta a sua experiência nas passarelas ainda nos bastidores. "Tô adorando essa experiência. Espero poder participar mais vezes por que eu amei esse meu dia de princesa. Por enquanto, eu ainda não estou nervosa, mas acho que quando chegar mais gente, eu vou ficar um pouquinho.".

A estudante de jornalismo e modelo, Thaís Muniz.
Foto: Divulgação

Entre tantas mulheres, o modelo Daniel Lopes (25), já se diz acostumado com a predominância da presença feminina nas passarelas e a afirma que no mundo na moda as mulheres tem uma presença comercial muito bem estabelecida. Perguntado se existe preconceito com homens que modelam, ele responde sem exitações: "Sempre tem, né? Porque é uma sociedade machista. Se você modela, já generalizam: você é gay. Mas e se eu fosse? Mas e se eu for? O mundo da moda é um mundo hétero, é um mundo homo, é um mundo sem gênero. E é assim que deveria ser. Mas sim, há preconceito, de pessoas machistas tentando menosprezar nossa proposta."

O modelo Daniel Lopes, de 25 anos.
Foto: Divulgação

O evento que contava com a participação de 400 convidados foi só elogios. O público-alvo foram pessoas autênticas, criativas, ecléticas e flexíveis. Geralmente amantes de evntos de cultura, lazer e moda. "Tá muito bem organizado mesmo. Muito tranquilo. E eu acho ótimo esse tipo de evento. Em Goiânia tá começando agora essa discussão sobre moda alternativa e acho bem importante para conhecer o outro lado. Goiânia não é só sertanejo!", comenta a estudante de cinema, Nikolly dos Santos.


Foto: Divulgação

Segundo os organizadores, a equipe técnica teve dois meses para fazer  a gestão do projeto, definir o conceito e ir atrás dos patrocinadores. Essa foi a primeira edição do Athentic Fashion e eles pretendem aumentar a capacidade para atingir mais pessoas nos próximos anos. Incentivando mais a cultura alternativa na capital goiana.

domingo, 22 de novembro de 2015

Racismo na internet: crime virtual

     Casos de discriminação contra pessoas públicas, como a atriz Taís Aráujo e a jornalista Maria Júlia Coutinho, ganham uma dimensão maior e chamam atenção para um mal ignorado há tempos: o racismo. 

    “Me empresta seu cabelo aí para eu lavar a louça.”, “Só entrou na globo por causa das cotas.”, “Pode ser mais clara?” foram alguns dos comentários acompanhados de xingamentos ou piadas que as duas sofreram em suas redes sociais por usuários preconceituosos.




    Racismo é uma maneira de discriminar pessoas baseado em motivos raciais, cor da pele ou outras características físicas e tem como resultado a diminuição ou anulação dos direitos humanos das pessoas discriminadas. 

    A falsa sensação de anonimato produzida pela internet torna-se instrumento para a manifestação do preconceito. Usuários destilam comentários preconceituosos sem a ideia da gravidade das suas atitudes.  A título de curiosidade, o racismo ocupa a segunda posição entre os crimes de direitos humanos na internet, perdendo apenas para a pornografia infantil.

     Como se não bastasse os exemplos diários de discriminação, o racismo ganhou um feroz aliado na propagação do preconceito dentro das redes sociais. Os crimes de ódio racial veiculados pela internet são mais recorrentes do que se imagina e esses ataques não se limitam somente há pessoas públicas. Atingem pessoas de todas as classes, profissões e idades. 

     É essencial para combater esse mal que haja a conscientização e a prevenção desses pensamentos e atitudes. É necessário que a família ensine às crianças valores básicos como respeito, tolerância às diferenças e humildade. As escolas devem ser responsáveis pela discussão do tema e pela quebra de estigmas causados pela sociedade.

     Na internet, é preciso haver uma reação. É preciso haver manifestações que diminuam o impacto de atitudes racistas. Uma corrente de pessoas dispostas a dizer não a essas atitudes e que mostrem o quanto é necessário mudar. Também é muito importante denunciar perfis e páginas que incentivem crimes de ódio.

    O pior é que, em plena era tão moderna, nesses tempos em que todos adoram opinar e compartilhar, ainda existam posicionamentos violentos e preconceituosos como esses. Eles são a prova viva de que acesso à informação não significa utilizá-la com bom senso e respeito.

      Estamos no Brasil. Fazemos parte de um país miscigenado, com uma mistura forte de raças, cores e culturas. Precisamos parar de fingir que racismo não existe. Precisamos parar de fingir que esse mal não nos atinge. Ataques racistas não devem ser tolerados nem silenciados. Devem ser denunciados e inibidos. Racismo não é brincadeira, é um crime. E como tal, deve ser punido.

Gabriel Nunes

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A saga da Lili e PL 5069/2013

No Brasil, centenas de mulheres são estupradas por dia. Milhares de mulheres são estupradas por ano. São registrados, em média, 50.000 ocorrências contra violência sexual no ano. Se você acha esse número grande tenha em mente de que nem todos os estupros são registrados nas delegacias, devido à vergonha ou medo. 
Agora vamos ser hipotéticos e falar sobre uma mulher, que vamos dar o nome de Lili. Ela está a caminho de casa quando é surpreendida por um homem que a agride sexualmente.  Ela é estuprada!  Após escapar do seu agressor ou mesmo ser abandonada em qualquer lugar, a mulher procura ajuda.
Provavelmente, ela irá a um hospital, porque além de sentir dores, pode ter contraído alguma doença sexualmente transmissível e/ou ter engravidado de seu agressor.
De acordo com a lei vigente até o momento em que escrevo esse texto, ela vai receber atendimento médico nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), onde usarão as medidas cabíveis e previstas por lei, para evitar uma possível gravidez indesejada, decorrente do ato brutal sofrido, e informações sobre seus direitos legais e serviços sanitários disponíveis.
É o mínimo que se pode fazer por uma mulher que foi violentada sexualmente, correto? Não de acordo com alguns deputados. O Projeto de Lei 5069/2013, de autoria do deputado Eduardo Cunha, muda alguns conceitos e torna mais difícil o acesso à informação de mulheres em situação de violência sexual.
De acordo com esse projeto de lei, Lili não poderá ser atendida, pois não registrou boletim de ocorrência na delegacia nem realizou exame de corpo de delito. Sendo assim, ela não pode provar que foi estuprada. E mesmo que ela tivesse feito a ocorrência e o exame de corpo de delito, ela também não poderá receber medicamentos como a pílula do dia seguinte ou mesmo receber o coquetel anti-HIV, podendo assim ficar grávida do seu agressor e/ou ser contaminada por uma doença sexualmente transmissível.
Não bastando, com as mudanças vindouras através do PL 5069, o que antes caracterizava o estupro por qualquer forma de atividade sexual não consentida, seria então considerado crime sexual somente atos que resultem em danos físicos e psicológicos provados pelo exame feito no IML. O texto também proíbe venda de métodos abortivos, mas não especifica quais são essas substâncias.
Os agentes de saúde ficarão impossibilitados de promover orientações para vítimas que desejam recorrer ao aborto. Caso isso ocorra, eles podem sofrer com pena de um a três anos de detenção.
Como medir danos psicológicos em mulheres vítimas de estupro ainda a tempo de recorrer aos devidos cuidados médicos? Que tipo de agressão sexual não deixa danos físicos ou psicológicos? Quais são os direitos das mulheres em caso de serem vítimas de violência sexual? Onde os agressores serão penalizados diante dessa lei?
O projeto de lei, já aprovado na Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania, será encaminhado para votação no plenário. Sendo aprovado, passará pelo poder executivo para então, ser sancionado ou vetado.
Com a aprovação do projeto, iremos retroceder nos avanços referentes aos direitos das mulheres. As vítimas além de fragilizadas serão negligenciadas. Por isso devemos protestar, espalhar a notícia e lutar para que esse projeto de lei não seja aprovado. Nesse texto, Lili é só uma personagem, mas na vida real, ela representa nossas mães, tias, primas, amigas, colegas de trabalho e até nossas namoradas.

Gabriel Nunes