Casos de discriminação contra pessoas públicas, como a atriz Taís Aráujo e a jornalista Maria Júlia Coutinho, ganham uma dimensão maior e chamam atenção para um mal ignorado há tempos: o racismo.
“Me empresta seu cabelo aí para eu lavar a louça.”, “Só entrou na globo por causa das cotas.”, “Pode ser mais clara?” foram alguns dos comentários acompanhados de xingamentos ou piadas que as duas sofreram em suas redes sociais por usuários preconceituosos.
Racismo é uma maneira de discriminar pessoas baseado em motivos raciais, cor da pele ou outras características físicas e tem como resultado a diminuição ou anulação dos direitos humanos das pessoas discriminadas.
A falsa sensação de anonimato produzida pela internet torna-se instrumento para a manifestação do preconceito. Usuários destilam comentários preconceituosos sem a ideia da gravidade das suas atitudes. A título de curiosidade, o racismo ocupa a segunda posição entre os crimes de direitos humanos na internet, perdendo apenas para a pornografia infantil.
Como se não bastasse os exemplos diários de discriminação, o racismo ganhou um feroz aliado na propagação do preconceito dentro das redes sociais. Os crimes de ódio racial veiculados pela internet são mais recorrentes do que se imagina e esses ataques não se limitam somente há pessoas públicas. Atingem pessoas de todas as classes, profissões e idades.
É essencial para combater esse mal que haja a conscientização e a prevenção desses pensamentos e atitudes. É necessário que a família ensine às crianças valores básicos como respeito, tolerância às diferenças e humildade. As escolas devem ser responsáveis pela discussão do tema e pela quebra de estigmas causados pela sociedade.
Na internet, é preciso haver uma reação. É preciso haver manifestações que diminuam o impacto de atitudes racistas. Uma corrente de pessoas dispostas a dizer não a essas atitudes e que mostrem o quanto é necessário mudar. Também é muito importante denunciar perfis e páginas que incentivem crimes de ódio.
O pior é que, em plena era tão moderna, nesses tempos em que todos adoram opinar e compartilhar, ainda existam posicionamentos violentos e preconceituosos como esses. Eles são a prova viva de que acesso à informação não significa utilizá-la com bom senso e respeito.
Estamos no Brasil. Fazemos parte de um país miscigenado, com uma mistura forte de raças, cores e culturas. Precisamos parar de fingir que racismo não existe. Precisamos parar de fingir que esse mal não nos atinge. Ataques racistas não devem ser tolerados nem silenciados. Devem ser denunciados e inibidos. Racismo não é brincadeira, é um crime. E como tal, deve ser punido.
Gabriel Nunes

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